A suspensão de novos financiamentos do Plano Safra 2024/2025 pelo Tesouro Nacional, anunciada no dia 20 de fevereiro, gerou um cenário preocupante para o mercado agrícola e pode resultar em um aumento ainda maior no preço dos alimentos. A medida foi motivada pela pressão no Orçamento e pela alta da Selic, que está em 13,25%. A decisão afeta diretamente os produtores agrícolas, limitando o crédito necessário para a produção de alimentos. A exceção ficou apenas para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
O impacto sobre os preços já é evidente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro mostrou uma alta de 0,96% no grupo Alimentação e Bebidas, sinalizando que a inflação dos alimentos pode continuar pressionando o bolso do consumidor. A Secretaria de Política Econômica estima que a inflação de alimentos se mantenha em 4,8% até o final de 2025. Porém, especialistas do setor privado preveem um IPCA ainda maior, de 5,6%, caso a situação não se estabilize.

Especialistas acreditam que a falta de financiamento adequado pode agravar ainda mais esse cenário. Márcio Sette Fortes, economista do Ibmec, ressalta que um Plano Safra mais robusto poderia ajudar a combater a inflação de alimentos no futuro. Por outro lado, o delegado do Corecon-SP, Adenauer Rockenmeyer, alerta que a não aprovação do Orçamento de 2025 gera incertezas fiscais e compromete a continuidade do financiamento agrícola, prejudicando a oferta de alimentos e impactando negativamente a inflação.
O governo tenta agora resolver a crise, com a proposta de abrir um crédito extraordinário de R$ 4 bilhões, mas o Tribunal de Contas da União ainda precisa analisar a legalidade dessa ação.
Fonte: CNN.