A busca pela polilaminina, uma substância experimental testada em pacientes com lesões na medula, movimenta os tribunais brasileiros. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ter recebido 72 pedidos judiciais para a aplicação do tratamento, dos quais 38 já foram autorizados para o chamado “uso compassivo”. Essa modalidade permite que pacientes com doenças graves e sem outras opções terapêuticas utilizem substâncias ainda sem registro, desde que autorizadas pela Justiça ou por laudo médico. Famílias como a de Pedro Raimundo Neto, internado no Tocantins após um grave acidente de moto, veem na terapia a chance de recuperar movimentos ou a autonomia respiratória.
Ciência pede paciência
Apesar do entusiasmo das famílias e de resultados preliminares publicados em 2025, a comunidade científica reforça que o medicamento ainda está em fase inicial de testes. O estudo de fase 1, que avalia a segurança em apenas cinco pacientes, foi autorizado pela Anvisa em janeiro deste ano. Especialistas, como a bióloga Natalia Pasternak, alertam que os dados atuais carecem de publicações em revistas científicas revisadas e que há falhas metodológicas nos documentos disponíveis. O processo completo para garantir que a polilaminina é realmente segura e eficaz para o consumo geral pode levar, pelo menos, cinco anos.
Mobilização dos estados
Enquanto o Ministério da Saúde acompanha a evolução das pesquisas, alguns estados já lidam com a aplicação real da substância por força de decisões judiciais. Em Goiás, a Secretaria de Saúde expressou preocupação com a “insegurança” de ordens liminares em uma fase tão prematura do estudo. No Paraná, dois pacientes já iniciaram o tratamento em hospitais públicos, e o governo estadual manifestou interesse em colocar suas unidades à disposição para as próximas etapas da pesquisa. Investigadores do projeto ressaltam que o objetivo não é a “cura milagrosa”, mas sim garantir pequenas evoluções que tragam mais qualidade de vida e satisfação aos pacientes.