Uma crença antiga que assombra muitos produtores de regiões serranas acaba de ser derrubada por especialistas do setor. De acordo com o zootecnista Josmar Almeida, a ideia de que a topografia declivosa enrijece a musculatura do gado é um mito completo. A experiência prática em várias regiões acidentadas do Brasil comprova que lotes criados em morros entregam rotineiramente carne macia e de alta qualidade ao consumidor final.
Tecnologia e estratégia no cocho
Embora o relevo não estrague a qualidade da carne, o especialista pondera que o gado gasta um pouco mais de energia caminhando nas subidas. Por isso, o segredo para o sucesso em propriedades com essa característica não está no desenho do terreno, mas sim no manejo do produtor. A recomendação principal para as áreas de morro é aliar o pasto com o uso estratégico da tecnologia de cocho, sendo o sistema de semiconfinamento o mais adequado para esses cenários. Dessa forma, o pecuarista consegue suprir as necessidades do rebanho e garantir que o gasto energético extra não atrapalhe o desenvolvimento dos animais.
Para garantir o padrão de carne premium, o produtor deve investir em uma suplementação pesada, que varie de 0,5% a 1% do peso vivo do animal. Esse investimento em nutrição funciona como uma ferramenta que acelera o ganho de peso diário, neutraliza o esforço das caminhadas no declive e antecipa a idade de abate para os 24 meses. Com essa estratégia, o gado atinge o acabamento de gordura uniforme exigido pela indústria.