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De resíduo a adubo: projeto transforma lodo de esgoto em insumo e eleva produtividade no campo

Iniciativa reduz custos na agricultura com biossólido que melhora o solo e aumenta as colheitas em até 20%

Uma iniciativa pioneira de economia circular está transformando a realidade de produtores rurais no Paraná. O lodo gerado no tratamento de esgoto doméstico, que antes tinha como destino quase exclusivo os aterros sanitários, passou a ser reaproveitado como um poderoso insumo agrícola para a correção e adubação do solo. Desenvolvido pela Sanepar desde a década de 1980, o programa já está presente em 32 cidades paranaenses. Conhecido tecnicamente como biossólido, o material tem feito sucesso no campo por fornecer matéria orgânica e nutrientes essenciais — como nitrogênio e fósforo —, gerando ganhos de produtividade que variam entre 15% e 20%.

Preparo rigoroso contra pragas e estiagem

Para garantir a total segurança dos agricultores, o lodo passa por um rigoroso processo de higienização e controle de qualidade que dura cerca de três meses. Nas Unidades de Gerenciamento de Lodo (UGLs), o material recebe a adição de cal virgem, etapa que elimina agentes causadores de doenças, como a salmonela e os coliformes. Segundo o engenheiro agrônomo Rebert Skalisz, além de limpar o resíduo, a cal ajuda a corrigir a acidez da terra de forma tão ou mais eficiente que o calcário tradicional. Outro grande benefício do adubo ecológico é que ele melhora a retenção de água no solo, garantindo que as plantas fiquem mais resistentes contra os períodos de forte calor e estiagem.

Regras rígidas de segurança alimentar

Apesar das vantagens econômicas e ambientais, a distribuição gratuita do biossólido segue critérios rígidos e exige um projeto agronômico específico para cada propriedade. No Paraná, a legislação é severa para evitar qualquer risco à saúde: o uso é totalmente proibido no cultivo de hortaliças e tubérculos (como batata e cenoura), que têm contato direto com o solo e consumo humano imediato. Por outro lado, a aplicação é autorizada e traz excelentes resultados para grandes culturas do estado, como soja, milho, trigo, café e reflorestamentos de eucalipto e pinus. Os produtores interessados em receber o produto devem passar por uma análise técnica prévia da terra para definir a dosagem correta antes do plantio.

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