Frutas nativas brasileiras como jabuticaba, açaí, cambuci, guaraná e marolo podem desempenhar um papel importante na prevenção de doenças relacionadas ao envelhecimento celular. É o que aponta uma revisão científica realizada por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), que identificou evidências de que compostos bioativos presentes nesses frutos ajudam a combater a inflamação e o estresse oxidativo, fatores associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas.
Compostos naturais fortalecem a proteção do organismo
Segundo os pesquisadores, substâncias como flavonoides, antocianinas, carotenoides e ácidos fenólicos atuam na neutralização dos radicais livres e reforçam os mecanismos naturais de defesa antioxidante do organismo. A revisão destaca que a jabuticaba foi a fruta com maior número de estudos, apresentando resultados promissores na redução de processos inflamatórios e de danos celulares. O guaraná também chamou atenção pelo potencial de proteger o sistema nervoso, enquanto o açaí demonstrou propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, inclusive em suas sementes, geralmente descartadas.
Apesar dos resultados considerados promissores, os autores ressaltam que a maior parte das evidências foi obtida em estudos com células e animais. Por isso, ainda são necessários ensaios clínicos com seres humanos para confirmar os benefícios observados. Os pesquisadores também defendem a valorização das frutas nativas brasileiras, muitas vezes pouco consumidas, destacando que esses alimentos podem contribuir para estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas, além de incentivar o aproveitamento sustentável de cascas, sementes e outros subprodutos.