A colheita brasileira de maçãs da variedade Fuji está chamando a atenção dos produtores e do mercado por uma característica muito especial nesta temporada: o chamado “pingo de mel”. O fenômeno, que é considerado raro, aparece como áreas translúcidas na polpa, bem próximas ao miolo da fruta. Apesar do nome curioso, não se trata de mel de verdade, mas sim de um acúmulo natural de açúcares que deixa a maçã com um sabor muito mais intenso, textura suculenta e uma doçura marcante.
De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), o pingo de mel ganhou força devido às condições climáticas ideais registradas durante a fase final de maturação nos pomares. O ciclo das macieiras foi mais longo, o que fez com que a colheita acontecesse de forma mais tardia e sob temperaturas mais baixas, combinação perfeita para concentrar o açúcar na polpa. Essa característica de alta qualidade sensorial é extremamente valorizada no Japão, país de origem da maçã Fuji, onde as frutas com o pingo de mel são vendidas como produtos premium e alcançam preços mais altos no mercado internacional.
Além de entregar uma fruta muito mais saborosa para as gôndolas, o setor comemora uma excelente recuperação na quantidade produzida. A estimativa da ABPM é que a safra nacional atinja entre 1,1 milhão e 1,2 milhão de toneladas, superando com folga as 850 mil toneladas do ciclo anterior. Os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul continuam liderando o mercado e concentrando a maior parte da produção do país.