O Ministério dos Transportes estuda uma proposta polêmica: acabar com a obrigatoriedade das aulas em autoescolas para quem deseja tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A (motos) e B (carros). A ideia, segundo o governo, é reduzir custos e facilitar o acesso ao documento, especialmente para pessoas de baixa renda. No entanto, a proposta foi criticada pelo presidente do Conselho Estadual de Trânsito de Santa Catarina (Cetran-SC), subtenente Atanir Antunes, que considera a medida perigosa e irresponsável.
Em entrevista exclusiva à Rádio Clube de Canoinhas, Antunes disse que permitir que as pessoas se preparem por conta própria, sem orientação técnica e prática adequada, coloca vidas em risco. “O Brasil é um dos países com mais mortes no trânsito, e liberar a direção sem o preparo necessário só tende a piorar esse cenário”, afirmou. Ele defende que, se o objetivo é reduzir custos, o caminho deveria ser expandir programas como a CNH Social, que já oferece habilitação gratuita a pessoas de baixa renda em 17 estados.
Motociclistas são os que mais morrem no trânsito, alerta Antunes

Durante a entrevista, o presidente do Cetran também destacou a vulnerabilidade dos motociclistas, grupo que representa cerca de 30% das mortes no trânsito no país. Só em acidentes com motos, o Brasil perde mais de 30 vidas por dia. Para ele, a formação específica para esses profissionais, como os entregadores de aplicativos, deve ser reforçada e fiscalizada. “Muitos trabalham sem curso obrigatório, sem vínculo formal e em condições precárias, o que aumenta o risco de acidentes”, disse.
Ele acredita que aulas práticas precisam ser melhoradas, mas jamais eliminadas. “Não é só a vida do condutor que está em jogo, mas também a de outras pessoas no trânsito.”