A campanha Julho Amarelo reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais, doenças que provocam inflamação no fígado e afetam milhares de brasileiros. O mês de conscientização foi instituído no Brasil em 2019 pela Lei nº 13.802, tendo nesta terça-feira (28), Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, o seu ponto principal. As infecções do tipo A, B, C, D e E costumam avançar sem apresentar sintomas visíveis nas fases iniciais, sendo frequentemente confundidas com cansaço, mal-estar e falta de apetite. Os sinais mais claros, como pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras, aparecem em estágios mais avançados, podendo evoluir para complicações graves como cirrose e câncer hepático em até 40% dos casos não tratados.
A prevenção envolve medidas diretas de higiene, vacinação e exames periódicos. A imunização contra o vírus B é recomendada para toda a população, enquanto a vacina para a hepatite A é indicada para públicos específicos, incluindo crianças. Além da imunização, especialistas orientam a utilização diária de preservativos e o não compartilhamento de objetos pessoais de uso íntimo ou cortantes, a exemplo de alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente, agulhas e seringas. A realização do teste rápido pelo menos uma vez na vida é considerada indispensável para a identificação precoce da infecção, em especial para pessoas com mais de 40 anos, gestantes, profissionais da área da saúde e indivíduos com tatuagens ou que realizam procedimentos frequentes como hemodiálise.
Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais apontam a confirmação de 826.292 casos no Brasil entre os anos de 2000 e 2024. O tipo C liderou o número de notificações no período com 41,5% dos registros, seguido pelo tipo B com 36,6% e pelo tipo A com 21,2%. A distribuição regional aponta maior presença da hepatite A no Nordeste, enquanto o Sudeste registrou as maiores proporções dos vírus B e C. No mesmo intervalo de tempo, o Sistema de Informação sobre Mortalidade contabilizou 49.999 óbitos por causas diretas ligadas às hepatites virais dos tipos A, B, C e D, sendo que o tipo C foi o responsável pela maioria expressiva dessas mortes, somando 75,3% dos óbitos.