Mergulhadores que exploram a Barragem de Dicle, no sudeste da Turquia, documentaram uma descoberta arqueológica impressionante: uma cidade inteira de 2.400 anos que ressurge quase intacta no fundo do reservatório. O local, situado às margens do histórico Rio Tigre, foi “engolido” pela água no final da década de 1990, quando a represa foi construída para projetos de irrigação. O que surpreendeu os especialistas foi o estado de conservação das estruturas; enquanto ruínas ao ar livre sofrem com o vento e a erosão, a água funcionou como uma câmara de preservação natural, mantendo paredes e escadarias congeladas no tempo.
Retrato de civilizações antigas
Os registros subaquáticos revelam um cenário digno de filmes, com túmulos talhados em rocha, vestígios de habitações com divisórias identificáveis e templos religiosos. A diversidade da arquitetura encontrada indica que o local foi um ponto estratégico habitado por diferentes civilizações ao longo dos séculos, onde cada cultura construiu sobre os restos da anterior. Em períodos de seca extrema, partes desses muros e degraus de pedra chegam a emergir parcialmente, oferecendo um vislumbre rápido de uma história que permaneceu oculta por décadas.
Desafios para a ciência
Apesar do enorme valor histórico, o acesso à “cidade perdida” ainda é limitado e perigoso. Como o sítio arqueológico depende das oscilações no nível da água da represa, as pesquisas não conseguem ser contínuas, o que dificulta uma documentação completa de todos os artefatos. No momento, o trabalho dos mergulhadores é a principal ferramenta para mapear essas ruínas submersas, que representam um elo raro e preservado com o passado de uma das regiões mais antigas e ricas em história do mundo.

