Um levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostrou que 65% dos brasileiros são favoráveis à redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas. Entre os trabalhadores formais e informais, o apoio sobe para 66%, enquanto entre os desempregados a adesão chega a 73%.
O estudo também revelou que os mais jovens (16 a 24 anos) são os mais favoráveis à medida (76%), percentual que diminui com o avanço da idade. Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a pesquisa evidencia que a escala 6×1 não é bem vista pela maioria da população, reforçando a relevância do debate no Congresso Nacional.

Impactos nos setores produtivos
A possível redução da jornada preocupa setores como Comércio, Serviços e Indústria. O advogado trabalhista Thiago Baptista de Oliveira alerta que a medida pode elevar os custos operacionais das empresas, principalmente as de pequeno e médio porte, além de gerar necessidade de novas contratações. Na Indústria, um estudo da Firjan estima que a mudança pode custar R$ 115,9 bilhões ao ano, elevando os gastos com pessoal em 15,1%.
Riscos de pejotização

Especialistas também apontam que a redução da jornada pode estimular a pejotização, ou seja, a contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas (PJ) para evitar encargos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O mestre em Direito das Relações Sociais, Washington Barbosa, alerta que essa prática pode fazer com que trabalhadores percam direitos fundamentais, como FGTS, aviso prévio e férias. A discussão segue em pauta no Congresso, enquanto economistas e juristas analisam os possíveis impactos da medida na economia e no mercado de trabalho.