Comer um biscoito entre as refeições ou pegar um pedaço de chocolate ao longo do dia pode parecer um hábito inofensivo, mas nem sempre está relacionado à fome. Segundo a nutricionista e psicóloga Flavia Lucena, o comportamento pode refletir questões emocionais, como ansiedade, estresse, tédio, frustração, solidão ou sobrecarga mental. Nesses casos, a comida passa a ser utilizada como uma forma de aliviar o desconforto emocional, e não para suprir uma necessidade fisiológica.
Cérebro associa alimento ao alívio emocional
De acordo com a especialista, alimentos mais saborosos ativam o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer e motivação. Com o tempo, o organismo aprende a associar determinados alimentos ao alívio de emoções negativas, criando um impulso para comer mesmo sem fome. Além disso, hábitos como trabalhar perto de alimentos, comer enquanto assiste à televisão ou responde mensagens podem reforçar esse comportamento de forma automática.
A nutricionista destaca que o hábito de beliscar ao longo do dia não deve ser encarado apenas como falta de disciplina ou força de vontade. Fatores como privação de sono e estresse crônico também favorecem a busca por recompensas imediatas e dificultam o controle dos impulsos alimentares. Por isso, em vez de julgamentos, a especialista recomenda compreender o comportamento e investigar suas causas, buscando estratégias para cuidar tanto da alimentação quanto da saúde emocional.