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Canoinhas precisa eleger seus próprios Deputados

Com 69,2 mil eleitores em 2026, a Comarca de Canoinhas tem força para eleger representantes locais.

willian
Por willian
08/08/2026 às 13:31 Canoinhas, SC
Canoinhas precisa eleger seus próprios Deputados

Em 2022, o município de Canoinhas vivenciou um fenômeno eleitoral preocupante: apesar de somar mais de 42 mil eleitores aptos, a cidade encerrou a apuração sem conseguir eleger um único deputado estadual para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC). A dispersão dos votos entre dezenas de candidatos de fora drenou a representatividade local e impôs um custo alto ao desenvolvimento do Planalto Norte.

No modelo político catarinense, os 40 deputados estaduais da ALESC detêm o poder de direcionar orçamentos milionários por meio das emendas impositivas e transferências especiais. Esses recursos chegam diretamente na ponta para financiar saúde pública, infraestrutura, mobilidade, educação e esporte.

Quando um município tem um deputado titular, esses recursos fluem com prioridade, pois o parlamentar precisa prestar contas à sua base eleitoral. Sem um representante próprio, Canoinhas fica dependente do "favor" político e da sobra de orçamentos de parlamentares cuja prioridade está em outras regiões do estado.

A Pulverização de Votos na Prática

Nas últimas eleições gerais, milhares de votos valiosos do eleitorado canoinhense migram para candidatos externos que não mantêm vínculos ou compromissos contínuos com as demandas locais. Ao todo, 7.567 votos serviram para eleger candidatos distantes da realidade de Canoinhas; houve, ainda, mais de 10 mil votos direcionados a candidatos de outras regiões que não foram eleitos e 4.871 votos brancos e nulos. São mais de 22 mil votos — que poderiam reforçar a candidatura de um representante local — direcionados a candidatos que não conhecem a realidade de Canoinhas.

O fortalecimento de Canoinhas não depende apenas da cobrança por serviços públicos, mas do comportamento no momento de votar. A matemática eleitoral exige concentração de forças: dividindo votos, a cidade perde quociente e vê suas cadeiras parlamentares serem ocupadas por regiões mais organizadas e coesas.

Valorizar candidaturas que vivenciam os problemas da cidade, conhecem a realidade das estradas rurais, as filas dos postos de saúde e as demandas do comércio local é o único caminho para garantir investimento contínuo e protagonismo político. Em um cenário competitivo, o voto regional deixa de ser apenas uma escolha partidária para se tornar uma decisão estratégica de sobrevivência e crescimento econômico.

União Regional Como Estratégia

Esse movimento de blindagem do voto regional já é uma realidade consolidada em outras áreas de Santa Catarina. Em regiões como o Oeste, o Sul e o Vale do Itajaí, associações empresariais, sindicatos e entidades de classe promovem campanhas contínuas de conscientização pelo "voto local". Nesses lugares, a sociedade civil compreendeu que a divisão eleitoral é um prejuízo coletivo e se organiza para apoiar nomes da própria terra, garantindo bancadas fortes que brigam juntas por grandes obras e investimentos governamentais. Essa articulação comunitária deve servir de modelo para Canoinhas: enquanto a cidade não unir suas lideranças e seu eleitorado em torno de causas regionais, continuará assistindo a outras regiões levarem a maior fatia dos recursos estaduais.

O Peso de Quase 70 Mil Votos da Comarca de Canoinhas

Com o eleitorado de 2026 consolidado, a dimensão do potencial político da região fica ainda mais evidente. Somente o município de Canoinhas conta com 42.759 eleitores. Quando somados aos municípios vizinhos que integram a Comarca — Três Barras (15.087), Major Vieira (6.055) e Bela Vista do Toldo (5.323) —, a região ultrapassa a marca expressiva de 69.200 eleitores aptos a votar.

Este contingente de quase 70 mil votos representa um verdadeiro patrimônio eleitoral. Se a Comarca de Canoinhas trabalhar de forma integrada, focando suas forças em nomes que conheçam a região, esse colégio eleitoral é perfeitamente capaz de garantir uma cadeira direta no parlamento estadual sem depender de concessões externas. No entanto, quando esses quase 70 mil eleitores pulverizam suas escolhas em dezenas de postulantes de outras regiões, o peso do Planalto Norte se anula, e o poder de barganha por melhorias regionais se esvazia por completo.