Um estudo internacional publicado na revista Plos One revelou que o envelhecimento funcional de brasileiros começa, em média, uma década antes do observado em europeus. Enquanto no Brasil o declínio da independência para realizar tarefas diárias surge por volta dos 70 anos, na Europa esse processo se inicia aos 80. A pesquisa, que utilizou dados de 30 mil idosos e baseou-se em critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que a trajetória acelerada de perda de autonomia no contexto brasileiro é impulsionada por desigualdades socioeconômicas, baixa escolaridade e acesso limitado a serviços de saúde preventiva ao longo da vida.
A análise identificou indicadores específicos que ajudam a prever o risco de incapacidade funcional. A força de preensão manual foi consolidada como um fator de proteção em ambos os continentes, ressaltando a relevância da manutenção da massa muscular para a independência. No entanto, para a população brasileira, a velocidade da caminhada se destacou como um marcador fundamental e de baixo custo para a identificação precoce de fragilidades. Fatores cardiovasculares, como hipertensão, diabetes e obesidade, somados ao sedentarismo, são apontados como elementos que aceleram a perda de capacidade aeróbica, embora sejam condições passíveis de modificação.
O levantamento também evidenciou que questões de saúde mental e sensorial impactam as populações de maneiras distintas. A depressão mostrou maior influência na redução da funcionalidade entre europeus, enquanto a percepção de piora na memória serviu como um sinal de alerta relevante para ambos os grupos, independentemente do contexto econômico. O cenário indica que a dependência na velhice não deve ser encarada como uma etapa inevitável, mas sim como um reflexo de trajetórias marcadas por oportunidades de prevenção não aproveitadas. Diante disso, a recomendação é que políticas públicas no Brasil priorizem intervenções precoces e a redução de disparidades para preservar a autonomia dos idosos.