A valorização do feijão ganhou força em abril e continua subindo neste mês de maio em Santa Catarina, segundo o Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa. O feijão-carioca foi o que mais subiu, registrando uma alta de 9,23% em abril, com preço médio de R$ 259,29 por saca de 60 quilos, e saltando para R$ 268,77 nos primeiros dias de maio. Já o feijão-preto fechou o mês cotado a R$ 159,43. Quando olhamos para o ano passado, o salto é ainda mais impressionante: o feijão-carioca acumulou uma alta de 51,85% em comparação com abril de 2025, reflexo direto da falta do produto no mercado nacional.
A principal explicação para esse aumento de preços é a combinação entre o clima adverso e a decisão dos agricultores de plantar menos feijão, preferindo migrar para culturas como soja e milho. O Paraná, que é o maior produtor do país, registrou um encolhimento de 44% na área colhida da primeira safra e espera uma redução de 30% na segunda safra devido à forte estiagem. Segundo o analista da Epagri/Cepa, João Rogério Alves, o mercado deve continuar com preços elevados, pois o clima instável desestimulou o plantio, gerando janelas de escassez que sustentam a valorização dos grãos preto e carioca.
Em Santa Catarina, a área plantada na primeira safra desabou 24% e a produção total encolheu mais de 26%, prejudicada por geadas tardias e chuvas irregulares. Na segunda safra catarinense, o tombo é ainda maior, com previsão de queda de 40% na produção estadual, piorada pelas fortes chuvas do final de abril que ameaçam a qualidade da colheita em regiões como Chapecó e Curitibanos. Diante dessa quebra severa em todo o Sul do Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um recuo de 5,2% na produção nacional, o que, de acordo com especialistas, pode obrigar o país a realizar importações pontuais nos próximos meses, especialmente de feijão-preto vindo da Argentina, para garantir o abastecimento.