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Mudança nas normas da Anvisa restringe acesso à polilaminina; pesquisadora critica novas regras

Cientista da UFRJ afirma que agência errou ao reduzir janela de tratamento da polilaminina de 90 para apenas 3 dias, deixando centenas de lesionados medulares sem acesso à terapia

Redação
Por Redação
03/09/2026 às 09:08 Canoinhas, SC
Mudança nas normas da Anvisa restringe acesso à polilaminina; pesquisadora critica novas regras
A cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, líder dos estudos com a polilaminina na UFRJ há quase 30 anos, revelou em entrevista que chora frequentemente ao precisar negar o tratamento experimental a famílias de pacientes paraplégicos e tetraplégicos. A recusa ocorre devido ao recente endurecimento das normas da Anvisa para o uso compassivo da substância. Anteriormente, a agência liberava o tratamento para pacientes com lesões medulares ocorridas há até 90 dias. No entanto, a nova exigência reduziu essa janela para apenas 72 horas (três dias), o que já fez com que cerca de 200 das 500 pessoas na fila de espera perdessem o prazo.

De acordo com a pesquisadora, a Anvisa cometeu um erro ao aplicar ao programa de uso compassivo os mesmos critérios estritos do estudo clínico de fase 1, que prevê a aplicação em até 72 horas para testes de segurança. O uso compassivo, respaldado por normas da própria agência para pacientes graves e sem alternativas terapêuticas, vinha beneficiando cerca de 80 pessoas, com relatos de melhora em até 75% dos casos acompanhados. O impacto da decisão gerou reações até de pacientes recuperados, como o bancário Bruno Drummond, que voltou a andar após usar a substância em 2018 e desabafou alegando que, sob as regras atuais, estaria hoje privado da oportunidade.

Classificando as restrições burocráticas como uma "crueldade" com quem sofreu traumas graves, Tatiana afirma que tem tentado contato sem sucesso com representantes da Anvisa para corrigir a interpretação das normas. Enquanto o ensaio clínico oficial segue sem recrutar voluntários e os pedidos chegam inclusive de outros países, o caso passou a ser discutido no Senado, onde requerimentos exigem explicações formais do Ministério da Saúde sobre as barreiras impostas à medicação.