Um estudo abrangente realizado com mais de 25 mil estudantes, entre 12 e 18 anos, revelou que o uso da inteligência artificial generativa para a realização de tarefas escolares pode comprometer o aprendizado real. A pesquisa conduzida durante 30 meses, indica que, embora a tecnologia facilite a conclusão dos deveres de casa, ela resulta em um desempenho significativamente inferior em avaliações presenciais. Os dados mostram que alunos que delegam suas atividades à tecnologia apresentam notas até 20% menores em provas mensais após seis meses de uso frequente.
O impacto negativo foi observado em diversas disciplinas, com quedas de 27% em humanas e 22% em exatas. A longo prazo, a defasagem se torna ainda mais evidente em exames nacionais de acesso ao ensino médio e à universidade. Estudantes que utilizaram a ferramenta por pelo menos dois anos obtiveram resultados entre 18% e 24% inferiores aos de colegas que não adotaram a tecnologia para essa finalidade.
A pesquisa destaca um fenômeno contraditório: enquanto o desempenho nas provas cai, a qualidade dos deveres de casa aumenta em 18% e o tempo gasto nas tarefas diminui em cerca de 30%. No entanto, essa eficiência imediata mascara a falta de exercício cognitivo, como a prática do erro e da revisão. O estudo ressalta que o problema não reside no contato com a tecnologia em si, mas na forma como é aplicada. Quando a ferramenta é usada para fornecer respostas prontas em vez de atuar como um tutor que explica o raciocínio, o estudante deixa de desenvolver as habilidades necessárias para o pensamento independente.