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Uso de telas antes dos dois anos pode causar atraso no desenvolvimento da fala

Diretrizes médicas recomendam exposição zero para bebês, enquanto a interação humana e a música surgem como estímulos essenciais para a linguagem

Redação Clube
Por Redação Clube
16/08/2026 às 15:30 Canoinhas, SC
Uso de telas antes dos dois anos pode causar atraso no desenvolvimento da fala

A exposição precoce a dispositivos eletrônicos tem sido associada a prejuízos no desenvolvimento infantil, especialmente em relação à aquisição da linguagem. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta que não haja contato com telas antes dos dois anos de idade. Para crianças entre dois e cinco anos, o limite deve ser de uma hora diária, subindo para até duas horas na faixa de seis a dez anos. Contudo, pesquisas indicam que a realidade brasileira diverge dessas normas, com crianças de até dois anos passando, em média, duas horas por dia expostas a telas.

O impacto negativo na fala ocorre porque o desenvolvimento cerebral nessa fase depende da interação real e da troca comunicativa direta, processo que as telas não conseguem replicar por serem uma via de mão única. Mesmo conteúdos considerados educativos falham em estimular a fala, pois não exigem resposta ou reação da criança. Além disso, a presença constante de dispositivos ligados no ambiente doméstico, mesmo que em segundo plano, reduz a quantidade e a qualidade das palavras direcionadas à criança, uma vez que a atenção dos adultos acaba dispersa, diminuindo a espontaneidade das conversas.

É fundamental monitorar marcos do desenvolvimento e buscar avaliação profissional em casos específicos: se aos 12 meses o bebê não balbucia ou não reage a sons; aos 18 meses não utiliza palavras com significado; ou aos dois anos possui vocabulário muito reduzido. Em contrapartida ao uso de telas, atividades como a leitura de livros e a música são aliadas no aprendizado. A experiência musical, diferentemente da passividade audiovisual, coloca a criança em posição ativa, utilizando ritmo e repetição para consolidar o vocabulário e a entonação.

Embora a recomendação de exposição zero seja o ideal científico para evitar atrasos, especialistas indicam que o padrão geral de hábitos ao longo das semanas é mais determinante do que episódios isolados. Priorizar o tempo de brincadeira livre e a interação face a face contribui para um ambiente favorável à construção da linguagem. O objetivo das diretrizes é informar as famílias para que busquem um equilíbrio que privilegie a comunicação responsiva, essencial para o pleno desenvolvimento das habilidades sociais e cognitivas na primeira infância.