A grande maioria dos diagnósticos de câncer de pulmão registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) ocorre quando a doença já está em estágio avançado ou em metástase. Dados de monitoramento indicam que cerca de 89,6% dos pacientes descobrem a enfermidade nos estágios 3 ou 4, fases em que as possibilidades de cura são drasticamente reduzidas. Em contrapartida, apenas pouco mais de 10% dos casos são identificados em estágios iniciais. Essa realidade é atribuída ao caráter silencioso da doença, que muitas vezes só manifesta sinais claros quando o tumor já atingiu grandes proporções ou se espalhou para outros órgãos.
O atraso na identificação do tumor é potencializado pela confusão dos sintomas com problemas respiratórios menos graves, como gripe, bronquite ou asma. Sinais como tosse persistente e leve falta de ar levam os pacientes a protelarem a busca por atendimento especializado, resultando em diagnósticos tardios. Além disso, a ausência de um programa nacional de rastreamento preventivo para grupos de risco agrava o cenário. Fatores como o tabagismo, responsável por 85% dos casos, somados ao sedentarismo e à má alimentação, mantêm o câncer de pulmão como um dos mais incidentes e letais no país.
Especialistas reforçam que a tomografia computadorizada anual é o método adequado para o diagnóstico precoce, especialmente para fumantes e ex-fumantes, sendo que o uso exclusivo de raios X de tórax é considerado inadequado para essa avaliação oncológica. Estima-se que, entre 2026 e 2028, o Brasil registre mais de 35 mil novos casos anuais da doença. Casos de sucesso no tratamento demonstram que, quando a detecção ocorre na fase inicial, as chances de recuperação podem ultrapassar 90%, reforçando a necessidade de ampliar o acesso a exames preventivos e à informação qualificada na rede pública de saúde.