Pesquisadores da Embrapa identificaram bactérias diazotróficas nas raízes de algodão arbóreo capazes de realizar a fixação biológica de nitrogênio, capturando o nutriente do ar e o disponibilizando para as plantas. Em testes iniciais realizados em vasos, plantas de algodão herbáceo inoculadas apenas com esses microrganismos apresentaram um desenvolvimento equivalente ao de espécimes que receberam a adubação nitrogenada convencional. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de bioinsumos voltados à cotonicultura, oferecendo alternativas tanto para o cultivo orgânico quanto para a redução da dependência de fertilizantes químicos importados.
A nutrição mineral representa o principal custo de produção na cultura do algodão, sendo o nitrogênio um dos elementos que mais sofre perdas no solo devido a processos como volatilização e lixiviação. Além de reduzir os gastos financeiros dos produtores, a adoção da fixação biológica ajuda a minimizar os impactos ambientais da agricultura. A diminuição do uso de adubos nitrogenados reduz diretamente a emissão de óxido nitroso, um potente gás de efeito estufa liberado pelos solos agrícolas, além de diminuir a vulnerabilidade do Brasil frente à importação de 95% do adubo nitrogenado consumido no país.
Apesar do forte potencial demonstrado em laboratório, os pesquisadores ressaltam que a tecnologia ainda precisa passar por validações em condições reais de campo antes de se transformar em um produto comercial. As equipes da Embrapa Algodão e da Embrapa Agrobiologia seguem trabalhando para isolar, identificar e caracterizar novas estirpes de bactérias benéficas, que também podem atuar na promoção do crescimento vegetal e na mitigação de estresses hídricos nas lavouras.